POR RICARDO MARQUES
Felipe Camarão está convocando todo mundo para ajudar Lula no segundo turno.
Todo mundo. Que expressão maravilhosa! Depois da eleição, cabe até quem não cabia antes.
A direção nacional do PT bancou Camarão. Edinho Silva veio ao Maranhão, abençoou a candidatura e anunciou o caminho da vitória.
A urna, essa inconveniente, não recebeu o memorando.
Camarão terminou sem alcançar dois dígitos.
Uma candidatura com padrinho presidencial, bênção partidária e votação de um dígito. Faltou combinar com o eleitor.
Lula não veio ao Maranhão no primeiro turno. A base estava dividida. O presidente ficou longe, e cada grupo cuidou do próprio palanque.
Agora, chegou a temporada da união. E, agora, querem Carlos Brandão incluído nesse abraço coletivo.
É uma beleza: na hora de escolher o caminho, manda Brasília. Na hora de tirar o carro do atoleiro, chamem o governador.
Mas Brandão está politicamente desobrigado de vestir a camisa dessa operação de resgate.
Pode apoiar Lula? Pode. Pode trabalhar por ele? Também. Por escolha, por convicção, por negociação política.
Cobrar isso como dívida é que exige uma criatividade extraordinária.
Quem bancou a estratégia precisa assumir o resultado. Não pode assinar a receita e mandar a conta para o vizinho.
Se Edinho tinha tanta certeza do caminho, que venha agora percorrê-lo. De preferência, trazendo Lula.
Porque aliado pode ajudar a carregar o piano. Mas ninguém tem obrigação de carregá-lo depois de ser dispensado da orquestra.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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