POR RICARDO MARQUES
O trabalhador merece descanso. Mas o fim da escala seis por um precisa considerar a realidade de quem mantém empregos formais.
No Brasil, produzir custa caro. A produtividade é baixa, a tributação pesa e contratar legalmente exige pagar salário, décimo terceiro, adicional de férias, FGTS e contribuições.
Tudo isso precisa caber no faturamento.
Reduzir de 44 para 40 horas, mantendo o salário, aumenta em 10% o custo salarial por hora. Esse aumento não desaparece com o discurso de um parlamentar.
O fim da escala 6x1 foi aprovado a onze dias do segundo turno. O cálculo eleitoral também entrou nessa conta. Apoiar mais descanso rende votos. Adaptar a empresa exige dinheiro.
Na minha avaliação, faltou aprofundar o debate sobre os impactos, ouvindo comerciantes, industriais e entidades patronais. Ouvir suas dificuldades também é defender o emprego.
E o poder público precisa fazer sua parte: controlar despesas, combater desperdícios e melhorar os serviços. Também deve ser cobrado pela eficiência que exige de quem produz.
O empresário tem aluguel, energia, fornecedor e folha para pagar. Os boletos vencem todos os meses, com ou sem aplausos no Congresso.
Ampliar o descanso é um objetivo justo. Criar condições para sustentá-lo também é responsabilidade de quem legisla.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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