POR RICARDO MARQUES
O Supremo tem dez ministros. Seis tiveram seus nomes, ou os de familiares e pessoas próximas, mencionados nas apurações e revelações do caso Master.
É preciso dizer: citação não é condenação.
Mas seis em dez também não é um detalhe de rodapé.
A toga deveria impor distância. No Brasil, parece que virou convite para aproximação.
Há encontros, contratos, negócios de familiares. Cada episódio exige apuração própria. Mas o conjunto exige uma explicação pública.
É como se a mais alta corte do país tivesse virado um grande balcão de negócios.
Porque o cidadão comum, quando precisa da Justiça, entra na fila.
O banqueiro parece conhecer outros caminhos.
E o Supremo enfrenta uma pergunta desconfortável: como preservar a confiança de quem espera julgamento quando surgem tantas relações entre quem julga e quem pode precisar ser julgado?
A presunção de inocência é um direito.
A confiança pública precisa ser merecida.
E nenhuma toga vem com certificado de inocência costurado no forro.
Veja a Comentário do Dia em vídeo (aqui)
Fonte: O Comentário do Dia de Ricardo Marques
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