POR RICARDO MARQUES
Na campanha, o dinheiro parece não ter fim.
Encerrada a eleição, a conta chega. E o cidadão começa a desconfiar de quem vai pagá-la.
Nos doze meses encerrados em agosto, os juros nominais do setor público brasileiro somaram quase um trilhão e duzentos bilhões de reais.
Enquanto isso, sobra pouco espaço para investir e melhorar os serviços públicos.
O problema é sério. Exige responsabilidade do presidente da República e de um Congresso que também decide como gastar.
Mas, quando se fala em ajuste, a conversa logo chega à aposentadoria, ao benefício social, à saúde e à educação.
É preciso examinar as despesas? Claro. Corrigir desperdícios? Sem dúvida.
Mas onde entram os supersalários, os penduricalhos, os benefícios tributários sem resultado demonstrado e a fiscalização das emendas parlamentares?
E a gastança desenfreada e irresponsável do governo?
Cortar privilégios não resolve tudo. Preservá-los, porém, tira a autoridade de quem pede sacrifícios à população.
O aposentado precisa fazer caber comida e remédio no mesmo bolso. Quem administra o dinheiro público deve explicar suas escolhas com a mesma seriedade.
Responsabilidade fiscal também é proteger os serviços de que o povo depende.
E o exemplo precisa começar por quem tem o poder de decidir.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O Comentário do Dia, com Ricardo Marques
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