Flávio Dino discursa no Palácio do Planalto em ato de defesa de Dilma Rousseff
“Quando o juiz abusa, esse abuso judicial contamina, infelizmente, a ordem jurídica, a constitucionalidade, e a própria imagem de imparcialidade do Poder Judiciário. O Poder Judiciário não pode mandar carta para passeata. Não cabe ao Judiciário fazer esse tipo de coisa. E se o juiz, o procurador da República quiser fazer carta para passeata, há um caminho: basta pedir demissão. E pode fazer passeata. Mas não use a toga para fazer política, porque isso acaba por destruir o Poder Judiciário”.
A pronúncia dessas palavras foi um dos grandes momentos do ato em que juízes e juristas e advogados renomados foram ao Palácio do Planalto manifestar apoio à presidente Dilma Rousseff (PT) contra o processo de impeachment, que classificam de golpe, e os excessos nos procedimentos usados na Operação Lava Jato. Elas foram pronunciadas em discurso forte e coerente feito pelo governador Flávio Dino, o mais destacado líder do movimento. Em tom firme, exibindo segurança nas suas declarações e demonstrando uma coragem política excepcional, o governador do Maranhão entrou ontem, mais uma vez, para a história política da República com um discurso contundente em defesa da democracia e contra o abuso de poder, principalmente por parte do Poder Judiciário. Dino bateu forte na corrupção, disparou chumbo grosso contra as elites que manipulam o poder e alertou, enfaticamente para o risco de esses segmentos estarem à procura de umduce, numa alusão a Benito Mussolini e o regime facista cruel que implantou na Itália nos anos 30, e um fürher, lembrando Adolfo Hitler, que submeteu a Alemanha ao nazismo, o mais cruel regime de exceção surgido na era moderna e que levou o mundo à Segunda Grande Guerra, que resultou na morte de milhões.
Na sua fala, na qual foram evidenciadas a maturidade de quem foi juiz federal por 12 anos e agora governa um dos estados mais pobres da Federação, e o entusiasmo jovial de um militante de esquerda – ele se declarou socialista – que “adora” manifestações de rua, o governador do Maranhão não deixou pedra sobre pedra no que respeita às ilegalidades. O governador lastreou sua fala indo buscar nos anos 50 do século passado o que definiu como estratégia das elites dominantes – 1% da população que manipula as riquezas e financia a grande mídia e banca parte da classe politica Quando falou do processo de impeachment que tramita no Congresso Nacional, não poupou críticas aos defensores, que para ele estão cometendo uma ilegalidade, já que o crime alegado não é suficiente para justificar tal medida e o clima criado no país com a deflagração n o processo na Câmara Federal. Dino comparou o processo às ações das comissões criadas pela ditadura, que se notabilizaram pelo lema “primeiro condena, depois investiga”.
Mesmo ciente dos riscos políticos que corre ao criticar conduta e decisões de integrantes do Poder Judiciário,Dino defendeu o combate á corrupção, mas defendeu a presidente Dilma lembrando que ela é uma das que fazem esse combate, e que também encarou o regime de exceção, foi perseguida e pagou preço alto por lutar por democracia. E, finalmente, fez duras críticas aos abusos do Poder Judiciário, assinalando que podia dizer o que estava dizendo por conhecer profundamente a instituição à qual pertenceu durante 12 anos. Defendeu o trabalho dos juízes brasileiros, mas foi implacável com os que abusam do poder da beca e rasgam a Constituição, ignoram as leis e desrespeitam o estado democrático de direito. E numa crítica mais direta aos excessos da Operação Lava Jato, criticou duramente o vazamento de informações sob sigilo e, no mesmo tom, disparou contra as escutas divulgadas de maneira arbitrária. E foi fundo: “Não use a toga para fazer política porque isso acaba por destruir o poder Judiciário”.
Várias vezes interrompido por fortes aplausos, o governador do Maranhão fechou seu ousado e histórico discurso com versos da última estrofe do Hino Nacional: “Mas se ergue a Justiça clava forte, verás que filho teu não foge à luta”.
Em tempo: Não se sabe por qual motivo, a Rede Globo registrou o movimento de apoio apenas com uma imagem isolada da presidente Dilma Rousseff, sem ter mostrado imagens dos presentes. E também não mostrou o governador Flávio Dino falando nem mencionou o seu discurso, em mais um espantoso caso de facciosismo jornalístico
Veja o discurso de Dino:
Fonte: Repórter Tempo
Fonte: Assessoria de Imprena

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