A manifestação pública de Marina Silva (PSB) em apoio ao candidato Aécio Neves (PSDB) no segundo turno não foi bem digerida pelos petistas. E nem poderia ser diferente, afinal, o cerco vai-se fechando contra a candidata Dilma Rousseff (PT). Com exceção de Luciana Genro (Psol), todos os demais candidatos que disputaram o primeiro turno presidencial migraram seus apoios para o tucano ou optaram pela neutralidade.
O fato de Marina – e os demais que igualmente manifestaram apoio a Aécio – dizer publicamente que vai pedir aos eleitores dela que votem no tucano não quer dizer, necessariamente, que eles votarão – pelo menos não em massa. Mas é indiscutível que representa um reforço e tanto na competente campanha da coligação liderada pelo PSDB.
O apoio da ambientalista tem – além da óbvia força eleitoral – ela teve mais de 20 milhões de votos no primeiro turno – um simbolismo que endossa o forte sentimento de mudança que Aécio tem apregoado para si.
E os petistas, seguramente, jamais diriam de Marina o que dizem agora, caso ela tivesse optado por apoiar Dilma no segundo turno.
E mais, a dor de cotovelo dos petistas é maior porque Marina foi forjada nas entranhas do PT – ou daquilo que um dia foi o petismo.
É cedo ainda para afirmar que a eleição está decidida. Embora Aécio tenha se mexido com muita competência no tabuleiro político-partidário-eleitoral – isto é inegável -, e liderar as primeiras pesquisas neste segundo turno – fato, aliás, inédito – é a primeira vez na história recente republicana do Brasil que o segundo colocado no primeiro turno aparece em primeiro, no início do segundo - muita coisa ainda pode acontecer até 26 de outubro.
Ademais, como já disse aqui outro dia, não se deve subestimar a militância petista que - mesmo compungida pelos escândalos que abalaram a imagem do partido – costuma se agigantar nas retas finais.
Fonte: Ricardo Marques
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