Aécio Neves (PSDB) venceu o primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial realizado ontem pela TV Bandeirantes (SP). O tucano é eloquente e se sai fácil das armadilhas de sua oponente. Dilma Rousseff (PT), por sua vez, estava visivelmente nervosa e não conseguia explicar a endêmica onda de corrupção que parece ter atingido o partido dela.
Dilma não soube, por exemplo, explicar por que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa – preso pela Polícia Federal – recebeu elogios do governo, quando saiu exonerado. Ficou a dúvida se, de fato, o corrupto fora exonerado a bem do serviço público ou apenas jogo de cena. Dilma precisa explicar melhor essa questão, do contrário Aécio novamente vai lhe encurralar nos próximos embates.
A petista também não soube, ou não quis, responder acerca do envio de dinheiro para a construção de um moderno porto em Cuba – sagaz, Aécio aproveitou-se para dizer que os portos brasileiros estão obsoletos e carecem de investimento.
Pior que, quando quis ir para o ataque, Dilma não foi competente. Ao tentar impor em Aécio a pecha de nepotista – quando disse que seis parentes, incluindo a irmã dele, ocupavam cargos durante o governo do tucano, em Minas Gerais, o que foi negado com veemência, e Aécio – que chamou a adversária de leviana - ainda desafiou a petista a dizer quais os cargos. Dilma emudeceu.
Foi, enfim, um desempenho esperado, dentro daquilo que o Brasil tem acompanhado na atual campanha presidencial, um Aécio eloquente, que arvora para si a condição de mudança, e uma Dilma nervosa, que não consegue sequer explicar números óbvios do governo dela, quanto menos rebatar os notórios escândalos de corrupção que assolam o seu governo.
Cumpre ressaltar, entretanto, que o nível do debate desta terça-feira (15) nem de perto é o que a maioria do povo brasileiro espera. O Brasil precisa de propostas para os graves problemas de ordem econômica e social que afligem a nossa gente, não de bate-boca de baixo nível. Chega ser lamentável que tanto Aécio quanto Dilma demonstrem uma indisposição para debater ideias.
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