Muito daquilo que eu me tornei devo aos mestres e mestras que tive ao longo da minha jornada. Dulce Lima foi a professora que me alfabetizou. Evandro Dias, meu professor de Matemática na sétima série do ginásio – hoje ensino médio -, me fez perder o medo das equações aritméticas, ao mostrar que meu forte estava na produção de textos, e que era, sim, possível ser feliz sem ir fundo na matéria.
Sou advogado, agradeço a professora Valtéria Alvarenga. Durante aula na faculdade de História da Uema (Universidade Estadual do Maranhão), lá pelos idos de 2001, Valtéria dividiu a sala ao meio. Um lado deveria acusar, e o outro defender Maquiavel, o autor de “O Príncipe”.
Por força do destino, fui parar no lado escalado para fazer a defesa do florentino. Ao final da atividade, jamais esquecerei, Valtéria me chamou ao canto da sala e falou para eu ir cursar Direito, pois minha vocação era de advogado.
Confesso que não acatei de imediato a sugestão. Por eu ser repórter desde os meus 16 anos de idade, imaginei que a professora enxergara virtudes de um jornalista e as confundira com as de um advogado. No entanto, ela foi enfática: “Não. Você é jornalista, que eu sei, mas sua vocação é ser advogado.”, reafirmou a mestra.
As palavras da professora Valtéria martelaram em minha cabeça por um bom tempo. Na época eu já estava casado – trabalhava na TV Mirante – e não havia faculdade de Direito em Caxias (MA). A mais próxima ficava em Teresina (PI), o que, para os meus padrões da época, era impossível cursar.
Veio, então, o advento do curso de Direito da FAI (Faculdade do Vale do Itapecuru), em 2004. Lembrei-me das palavras de Valtéria, e resolvi prestar o vestibular, aprovado em oitavo lugar e, após o curso, integrado a primeira turma de bacharéis em Direito da história de Caxias. Aliás, minha mulher, Ireneide, também se formou em Direito naquela mesma turma.
Confesso que até ouvir aquelas palavras da professora Valtéria Alvarenga, jamais passara pela minha cabeça um dia ser advogado.
Tive a benção de ter tido vários outros mestres e mestras fora da sala de aula. O Davi Peres, da TV Mirante, me ensinou muito do pouco que eu sei de telejornalismo. O Jorge Gonçalves – hoje nosso produtor no Direto ao Ponto (Canal 3 – Caxias/MA) – foi quem me guiou nos primeiros passos do jornalismo impresso. O Telê Guedes – locutor e ex-vereador lá do meu pequeno Baturité (CE) – me deu as primeiras orientações na locução de rádio, quando eu tinha ainda 14 anos de idade.
Tudo isso, só para reafirmar o valor que esses e outros mestres e mestras têm na minha história. E para desejar um feliz Dia dos Professores a todos àqueles que todos os dias despertam vocações em seus alunos e os fazem descortinar horizontes jamais por eles imaginados!
Fonte: Ricardo Marques
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