Em campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) tem centrado parte de suas falas nas teses relacionadas ao combate à corrupção. Sendo assim, mãos às obras. Que a presidente assuma a plenitude de suas prerrogativas e faça o que precisa ser feito. Independentemente dos resultados da eleição, há muitas tarefas ao seu alcance. Entre as quais assumir publicamente a responsabilidade no que toca ao seu partido e, de resto, às siglas de sua base aliada.
Sabemos que isso não acontecerá. O estratagema é empurrar com a barriga enquanto arranja-se um ou outro bode expiatório. Dentre os quais, a imprensa, o mordomo culpado de sempre. Deu certo uma vez, com o Mensalão. Agora, carimba-se de “vazamento seletivo” a decisão de um juiz que, dentro de suas prerrogativas legais, liberou um depoimento que não estava sob sigilo de Justiça.
Sim, a culpa é sempre alheia. Há sempre alguém perseguindo. Uma tal de direita, como se isso existisse no Brasil de forma organizada. A vitimização. É um método levado adiante com extremo rigor. Os indignados que se calem. Os indignados que engulam a seco. Ah, isso é moralismo, diz o outro. É a usual fala esfarrapada dos que buscam abrigos verbais para se manter no poder ou sob a sua confortável sombra.
Queria-se que os eleitores votassem sem saber detalhes da sujeira. Que os podres e os dejetos venham à tona sempre. Melhor que seja antes do dia da eleição. Do ponto de vista da democracia, não seria razoável que se desse de outra forma. Em meio à bandalheira, os que clamam pela transparência são tachados de “burgueses” ou coisas que o valham. Ora, vejam. Há sempre uma pecha disponível para carimbar quem questiona. No Brasil varonil, até “burguês” vira palavrão.
Vivemos uma era sombria. A afirmação de que a força da presidente vem do eleitorado menos escolarizado, uma óbvia constatação, vira arma de combate eleitoral contra quem elaborou a obviedade. Através da distorção, claro. E é óbvio que a ideia é convencer, desinformando, que a tese discrimina. Para isso, estimula-se o falso confronto entre ricos e pobres, diplomados e não diplomados. Sempre os dois palanques antagônicos.
Uma redução infeliz do mundo real, que é múltiplo e muito mais abrangente.
Os tucanos são lamentáveis vítimas de si mesmos. Deixaram-se engolir pelo petismo. Não souberam se apropriar de conquistas do exercício do poder. Tanto que hoje dedicam (e perdem) tempo precioso da campanha a dizer que, por exemplo, colocaram o País na rota da civilização com o sucesso do Real. Talvez tenham se comportado como “marinas” sem charme a esperar o reconhecimento. Ora, não há reconhecimento de méritos em meio à guerra política. E, para o PT, o exercício do poder é uma eterna guerra política. O partido jamais desce do palanque.
A armadilha que o PT sempre arma para seus oponentes é primária. Sem partido digno do nome a se contrapor, ela funciona. É o caso do Bolsa Família. A mediocridade contabiliza a quantidade de beneficiados quando a glória seria contabilizar quantos brasileiros não precisam mais dessa ajuda estatal. O Governo se vangloria do pleno emprego ao mesmo tempo que afirma ter mais de 50 milhões de pessoas recebendo a bolsa. São sentenças contraditórias entre si.
(Fábio Campos - jornalista)
Fonte: O Povo
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