
As eleições de outubro deveriam ser as mais difíceis para os políticos veteranos. O eleitorado brasileiro não aguenta mais tanta corrupção. Hoje, dos 81 membros do Senado Federal, mais da metade está encalacrada com a justiça – exatos 44 senadores da República. Isto é nosso, não ocorre em nenhum outro lugar do mundo.
Verdade que este fator ainda importa na escolha de muitos eleitores – mas eles são a minoria, admitamos. Infelizmente, no Brasil, a maioria dos eleitores não dá a mínima para a questão da corrupção. Para parcela expressiva de nossa gente tanto faz se o político é corrupto ou honesto. Aliás, é mais conveniente generalizar; dizer que “todo político é corrupto”, do que separar o joio do trigo. Sim, brasileiro adora manifestar-se nas redes sociais contra a corrupção – mas não passa disso. É só blá-blá-blá. Na prática, a maior parte compactua com a corrupção, ainda que muitos o façam sem saber que o fazem.
No mundo atual não deveria caber mais político corrupto. Há inúmeras facilidades, hoje, para se conhecer a vida pregressa de um candidato – a tecnologia permite tal facilidade. O portal ‘Congresso em Foco’, por exemplo, atualiza a lista com nomes dos parlamentares que estão sob investigação (veja aqui). Se quiser, o eleitor pode esticar a sondagem. É só baixar o ‘Detector de Corrupção’. Trata-se de um aplicativo gratuito, disponível para os sistemas Android e IOS, que permite verificar, por meio de reconhecimento facial (uma foto) ou pesquisa por nome, se um político foi condenado ou responde a algum processo na Justiça. A ferramenta rastreia informações em diversas instâncias jurídicas: Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Tribunais de Justiça dos Estados (TJs).
Além de eventual condenação, o app também informa os processos e inquéritos abertos onde o político é réu e que ainda não foram totalmente apurados. Mas há limitações. Os processos que correm em segredo de Justiça, por exemplo, não são incluídos na busca – poderia constar que político “tal” responde a processo “x” que corre em segredo de justiça, o que ampliaria a pesquisa.
Outro problema: No banco de dados do ‘Detector de Corrupção’ somente há referência à vida pregressa de governadores e vices, deputados federais que foram eleitos a partir de 2014, senadores eleitos desde 2010, presidentes e vice-presidentes que ainda estejam vivos, candidatos à presidência e aos governos estaduais listados no Datafolha e Ibope - não há como saber o histórico de novos candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e nem às assembleias legislativas.
Honestidade não deve ser o único quesito para avaliação de um candidato. Mas, convenhamos, precisa ser ponto de partida. Não dá para tolerar político corrupto.
Fonte: Ricardo Marques
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Comentários
Ribamar Rodrigues
18/05/2018 11:55
O Jornalista Ricardo Marques tem contribuído muito com informações diversas. A sociedade agradece.