
A pauta legislativa é controlada por meia dúzia de partidos movidos pelo fisiologismo
A esquerda está fula da vida com o chamado “centrão” – o bloco de partidos que reúne a nata do fisiologismo político-partidário brasileiro (DEM, PP, PRB, SD e PR) – para completar o time só falta o MDB, que é o maioral, diga-se de passagem. Agora, depois que o “centrão” optou por apoiar Geraldo Alckimin (PSDB), a rapaziada da esquerda cai de pau nas cinco siglas, classificando-as com adjetivos nada lisonjeiros, do tipo “balcão de negócios” para cima.
Interessante, até anteontem, quando o presidenciável Ciro Gomes (PDT) ainda flertava aberta e cinicamente com o “blocão”, nenhum esquerdista do campo democrático pregava a rejeição ao controverso apoio. Pelo contrário, de olho no precioso tempo de propaganda eleitoral e do fundo partidário que detém os cinco partidos, todos ansiavam, sem compunção nenhuma, que o flerte inicial se consumasse em casamento.
Ora, não é segredo que, ao lado do incomparável MDB, DEM, PP, PRB, SD e PR integram a nata da escória político-partidária brasileira – qualquer cidadão com um mínimo de informação e discernimento sabe disso. O ruim é enxergar por onde caminham os nossos partidos, mesmo aqueles que ainda detém um mínimo de resquício de credibilidade – ou seria de fé? – do povo brasileiro. As siglas só diferem nas nomenclaturas, na essência, ao que parece, estão todas iguais.
Ecos no Maranhão
Aqui no Maranhão, os ecos dessa pancadaria contra o “blocão” ainda não se fazem ouvir com a mesma intensidade de outros estados – embora perceba-se a indisfarçável azia de um ou outro escriba simpático aos Leões pelo inconformismo com a opção daqueles partidos por Alckmin. Mas ainda não há uma pancadaria virulenta. E poderá nem haver. Pelo menos não até o “blocão” manter viva a possibilidade de se manter na coligação comunista, o que poderá ser definido no próximo dia 28, quando o PCdoB realizará sua convenção.
E a ideologia?
A verdade é que a ideologia sucumbiu ao pragmatismo eleitoral. Os partidos renegam suas ideologias, o que permite que se misturem, num mesmo balaio, todas as correntes de pensamento, por mais antagônicas que possam parecer. E tudo em nome do poder.
Fonte: Ricardo Marques
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