Ricardo Marques

Flávio Dino e o desafio do segundo mandato

Publicado: 29/12/2018 11:39 - Atualizado em 29/12/2018 00:00 - 0 comentário


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Flávio Dino com este repórter, durante entrevista exclusiva

Inegável que a qualidade de vida do povo maranhense melhorou pelo trabalho do governador Flávio Dino (PCdoB) e equipe, sobretudo a parte mais pobre da população. Não há como contestar tal afirmação, os números estão aí para quem quiser ver.

Sim, algumas questões precisam mesmo ser melhoradas, como o fato de mais da metade da população – 54,1%, para ser exato – ainda viver na linha da pobreza. Mas já foi pior. Muito pior.

Se o objetivo da plenitude da vida digna para o povo do Maranhão não foi alcançado no primeiro mandato de Flávio Dino, é inegável que os índices, apesar de alguns deles ainda sofríveis, estão hoje melhores que aqueles herdados de sua antecessora, Roseana Sarney (MDB) – uns bem mais, outros um pouco mais. Porém houve melhora em todos os níveis.

A taxa de analfabetismo é um exemplo. Antes de Flávio Dino, 20% da população maranhense eram analfabetos, hoje esse índice caiu para 17%. Parece pouco, mas não é não. Organismos internacionais consideram o resultado um avanço significativo, como por exemplo o Unicef (Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas) – braço da ONU responsável pela promoção da defesa dos direitos das crianças.

A redução da taxa de analfabetismo é resultado de várias ações voltadas ao enfrentamento desse crônico e histórico problema do Maranhão. O governo comunista apostou no programa “Sim eu posso”, método cubano aplicado em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), sobretudo aos idosos, maioria dos iletrados. Deu certo!

Outras ações aliadas ao “Sim, eu posso” foram igualmente importantes para o resgate dos números da educação no Estado. O “Escola Digna” reformou mais de 800 escolas.  Mais de 50 mil professores foram qualificados. Sem falar no fato de o Maranhão pagar o salário base de professor mais alto do Brasil (R$ 5.750,00).  Também nestes últimos quatro anos, a rede pública estadual registra quase 15 mil matrículas em regime integral.

Os números são mesmo impressionantes. Por isso que o maior legado do primeiro mandato de Flávio Dino é o fortalecimento do Estado como agente de transformação social. Os avanços estão por toda parte (veja aqui).

Entretanto, o resgate da qualidade de vida do povo maranhense é um projeto ainda inacabado. Flávio Dino tem pela frente tarefa poucas vezes realizada. Reeleito já em primeiro turno, o comunista terá de superar uma tradição brasileira: o segundo mandato consecutivo costuma ser ruim.

Tem sido assim no Maranhão e em todo lugar, inclusive no plano federal, onde as exceções foram o tucano Fernando Henrique Cardoso, que entregou o País com a economia estabilizada, e, sobretudo, o petista Lula da Silva, quando manteve o crescimento econômico e a incrível distribuição de renda em seu segundo mandato, o que fez sua popularidade disparar.

Flávio Dino terá de enfrentar questões importantes que foram proteladas no mandato findante. Como a previdência do servidor público estadual, cujo Fundo de Pensão e Aposentadoria do Estado está estrangulado, por exemplo. Ou essas ignominiosas empresas terceirizadas da Saúde, que vira e mexe atrasam salários dos médicos da rede pública estadual.

São questões graves que precisam ser superadas e que se agigantam pelo cenário nacional conturbado que se avista no horizonte. A economia não dá sinais de melhora a curto prazo e o governo que está se abancando no Palácio do Planalto sinaliza que o combate à pobreza está fora das suas prioridades.

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