Ricardo Marques

Um ano sem HC

Publicado: 01/01/2019 09:22 - Atualizado em 01/01/2019 00:00 - 0 comentário


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A virada de 2017 para 2018 foi tensa. Para nós, não houve réveillon. Rezamos a noite toda. Pedíamos pelo restabelecimento da saúde de Humberto Coutinho que, sabíamos, encontrava-se à beira da morte. Seu passamento era questão de tempo - horas talvez. 

O grande líder político resistiu à virada de ano. Embora tenha passado o primeiro dia do novo ano desenganado pelos médicos. Aquele foi um primeiro de janeiro de aflição. Cada vez que o telefone chamava o coração vinha à boca.

Até que no começo da noite daquele primeiro de janeiro de 2018 chegou a fatídica notícia: morria Humberto Ivar de Araújo Coutinho, aos 71 anos, após travar uma intensa batalha contra um câncer no intestino, descoberto, por acaso, no final de 2013.

Caxias perdia, ali, um de seus maiores líderes - senão o maior - de todos os tempos. E eu, o melhor patrão que tive na vida. HC foi um dos caras mais dignos de respeito com quem tive a honra de conviver.

Humberto Coutinho não foi apenas o maior político de Caxias e região das últimas três décadas. Foi mais que um grande líder. Para quem teve o privilégio de conhecê-lo de perto, foi um Mestre na arte da política e dos relacionamentos.

Entre as premissas da lógica de HC está a frase: “Ninguém chega muito longe sozinho, o segredo do sucesso na caminhada está no grupo.”  

Ainda hoje penso que a qualquer momento ele vai me ligar para saber como estão a TV e a Rádio Sinal Verde – por quem os olhos dele brilhavam, toda vez que lá chegavam –; se os salários dos funcionários foram pagos; se as agências receberam as devidas comissões... Enfim, se as contas da empresa estavam em dia, incluindo impostos e obrigações de ordem trabalhista e previdenciária - como era de praxe nas empresas dele.

Dizem que Deus tem um propósito para tudo na vida e que, às vezes, a gente é que demora a compreender Suas intenções. Um ano se passou... Confesso, até hoje não compreendo o que Ele tinha em mente quando levou o Grandão. É estranho como os bons morrem cedo.

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