
Teve de tudo ontem, na posse de Jair Bolsonaro – o 38º presidente do Brasil. O tratamento dispensado à imprensa foi um caso à parte. Os profissionais – repórteres, repórteres cinematográficos, redatores de sites de notícias, de blogs, etc... – tiveram um “dia de cão”.
O jornalista gaúcho Gilmar Corrêa, que é editor do site “Misto Brasília”, relatou nas redes socais que os jornalistas estavam submetidos a condições subumanas, confinados em “chiqueirinhos” no Planalto e no Congresso. Ele conta que no Itamaraty, a sala onde foram colocados os jornalistas, sequer tinha janela. Os profissionais não podiam circular e muitos jornalistas – estrangeiros, inclusive – abandonaram a cobertura em protesto pelo tratamento desumano dispensado aos profissionais da imprensa.
Ainda segundo Gilmar, que, aliás, já trabalhou no Maranhão – foi diretor de Jornalismo do SBT/MA (Rede Difusora de Rádio e Televisão) –, os profissionais foram obrigados a chegar cedo, de manhãzinha logo, para cumprir as determinações do protocolo de segurança, e não podiam entrar com comida. É comum o jornalista que vai para esse tipo de cobertura levar um lanche, uma água, dentro de uma bolsa. Ontem, os colegas foram obrigados a jogar a comida no lixo.
A posse em si foi festiva – como toda cerimônia de posse. Posse, até de presidente de mesa de bar costuma ser festiva. Agora, ficou marcado o excesso de ideologização no discurso de posse do presidente. A todo instante ele fazia questão de enfatizar “o fim do socialismo”.
Este redator confessa não ter entendido o que Bolsonaro quis dizer com essa ênfase toda, mas ficou a impressão sincera de que o nosso presidente não sabe direito o que é socialismo.
Quanto às ausências, foi a posse presidencial brasileira com o menor número de representantes de outros países – fato que, aliás, deveria acender a luz de alerta no novo governo para a diplomacia que, ao que tudo parece, está equivocada.
Agora, quanto às ausências dos governadores, foi normal. Os mandatários estaduais tomaram posse ontem, também. Tem sido assim, em todas as posses presidenciais. Ainda que seja notória a falta de sintonia de um ou outro governador com o novo governo, o fato é que as ausências de governadores mais se justificaram por suas respectivas posses nos estados.
O discurso
Alguns pontos do discurso de Bolsonaro são dignos de ênfase, porque podem sinalizar uma linha programática a ser seguida pelo novo governo. Diz-se “podem”, porque o Bolsonaro e sua equipe, isto já foi percebido pela parte mais atenta da população, costumam dizer uma coisa pela manhã, outra à tarde e mais outra à noite.
'Valorizar famílias e respeitar religiões'
Interessante valorizar a família enquanto instituição. Algumas das deformações da sociedade brasileira têm origem no esfacelamento da família e no distanciamento, sobretudo dos jovens, da religião. Mas esse respeito precisa sair do campo do discurso e virar prática do novo governo, inclusive dentro de casa – a primeira-dama Michelle Bolsonaro, por exemplo, vai no sentido oposto quando manda retirar imagens sacras da decoração do Palácio do Alvorada, residência oficial do presidente da República.
'Segurança das pessoas'
Este ponto é fundamental e não somente para o novo governo, afinal as ruas das grandes e médias cidades brasileiras estão dominadas pela bandidagem. O governo terá mesmo de concentrar esforços para trazer equilíbrio à segurança das pessoas. O problema, na avaliação deste redator, é que Bolsonaro parece acreditar que a eficiência do setor se resume ao contraponto bélico estatal às facções criminosas. Segurança pública vai muito além disso.
'Combater o socialismo'
Em seu discurso de posse Bolsonaro substituiu o comunismo pelo socialismo. Parece que o presidente não compreende nem um nem outro – algum assessor mais próximo já deveria tê-lo ensinado o que significam. O Brasil não pode abrir mão do socialismo, é preciso ampliar a distribuição de renda no país. Dentre os acertos da era petista, seguramente, está o socialismo que possibilitou uma considerável melhora na qualidade de vida das pessoas mais pobres. Não se deve confundir a alopragem dos “companheiros”, que resultou numa onda de corrupção como jamais vista na história deste país – parafraseando o “Lula Livre” -, com os avanços sociais.
'Romper com antigas práticas' e 'reformas estruturantes'
Este é outro ponto que merece atenção mais apurada. Primeiro, porque, as tais “antigas práticas” elas existem de há muito tempo, qualquer cidadão sabe. Bolsonaro está na Câmara dos Deputados há 30 anos e não se sabe de uma medida só – um discurso sequer, de descontentamento ou denúncia contra essas práticas – do agora presidente. Ou ele era conivente?
'Brasil ocupar o lugar que merece'
Sim, o Brasil merece mesmo um lugar de destaque no cenário internacional, e se for possível voltar àqueles patamares galgados nos governos Lula, sobretudo o segundo, seria fantástico. De novo é preciso não misturar as derrapagens do PT no campo ético com os avanços obtidos nas gestões de Lula – uma nada tem a ver com a outra.
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