Comércio informal em via pública. Obstáculo à circulação no passeio público. Local: Praça Gonçalves Dias
POR EZÍQUIO BARROS
A Teoria das Janelas Quebradas foi uma experiência desenvolvida nos anos 60 por um professor da universidade americana de Stanford. Trata-se de um estudo sobre a psicologia humana para retratar a desordem e a criminalidade. Imagine que você está andando na rua e após tomar um refrigerante decide jogar a lata fora. Se você estiver em uma rua completamente limpa, higienizada, sem buracos ou nenhuma irregularidade, você ficará com vergonha de jogar a lata no chão e a carregará até encontrar uma lixeira. Mas se você estiver em uma rua completamente suja, repleta de outras latas no chão, além de lixo e entulho, você não verá nenhum problema em joga-la ali mesmo. Os pesquisadores concluíram que um vidro quebrado (a experiência original fora feita com um carro com seu vidro quebrado) transmitia a mensagem de abandono, um objeto sem dono e a depredação algo normal, longe do olhar da lei.
A comparação que faço com a lata de refrigerante é para tornar esse estudo mais próximo do nosso dia a dia. O vidro quebrado também pode ser a da janela de um imóvel, com aspecto de esquecimento, mesmo com seus inquilinos.
O desleixo com o patrimônio material de Caxias (MA) é um longo processo de negação de nosso ambiente, criando uma espécie de repulsa do que deve ser correto. Calçada irregular, poste atrapalhando a passagem de pedestres, rampa de acessibilidade sem critérios, propaganda comercial em excesso, moto estacionada em local proibido, entre outros pequenos problemas. Encontramos todos esses elementos pelas ruas e os desviamos como um simples obstáculo, sem muita importância. E assim, como não nos incomodados, não percebemos e nem nos envergonhamos. E então o que falar dos imóveis que compõe o acervo de interesse histórico da cidade, que é um tema bem complexo e incompreensível para muitos?
Por isso venho afirmando há tempos: a questão patrimonial em Caxias vai muito além da simples preservação arquitetônica de imóveis para tornar “a cidade mais bela”, “preservar memória”, “trazer turistas” ou “valorizar cultura”, como é senso comum. Esses argumentos acabam diminuindo a própria necessidade de planejamento nessa área devido ao estado em que chegamos.
A preservação do patrimônio histórico faz parte do planejamento e intervenção dos centros urbanos. É a relocação do habitante em seu habitat, devolvendo a ele a sua cidade. É a reorganização do espaço urbano nos devolvendo sua função social. Essa é a ‘cidade inteligente’ do século XXI.
Preservar o patrimônio é sobretudo devolver uma cidadania própria e única do caxiense, que vem se deteriorando há décadas. Uma cidade bem planejada, em harmonia com seu ambiente, nos dá como retorno uma qualidade de vida, bem estar social e alternativas socioeconômicas.
* Ezíquio Barros é arquiteto e urbanista
Fonte: Ricardo Marques
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Comentários
Rondinele Plabio
01/03/2019 09:03
A poluição visual no centro histórico de Caxias -MA, ofusca em demasia o brilho da sua arquitetura clássica.