Esta é a mais surpreendente campanha presidencial do Brasil pós-redemocratização. Tudo bem que começou apática, e mesmo na reta final – faltando menos de uma semana para o pleito – está longe de empolgar o grande eleitorado. Porém, após a série de eventos desencadeados a partir do acidente que matou o candidato Eduardo Campos (PSB), a corrida ao Palácio do Planalto ganhou ares de imprevisível.
Marina Silva surgiu como fenômeno, embalada que foi pela comoção nacional decorrente da morte de EC. Muitos dão como certo a presença dela no segundo turno. Eu não dou.
A meu ver, apesar do tempo exíguo – apenas seis dias para o pleito -, Aécio Neves (PSDB) pode, sim, ir para o segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Nem tanto pela competência da campanha tucana em si – que, convenhamos, tem sido meio insossa – muito aquém de campanhas anteriores do PSDB. A chance de Aécio reside nas incongruências e inconsistências de Marina Silva.
O discurso de Marina é superficial e ela muda de opinião como quem muda de roupa. Mudar de opinião é prática de que as tem, o problema é que a candidata se apresenta instável na hora de defender suas ideias. E quando fala, Marina é de uma superficialidade juvenil intragável.
Para piorar, agora Marina teve colada em si a pecha de mentirosa. A candidata passou a semana derradeira afirmando ter votado “sim” pela CPMF. Descobriu-se depois – inclusive com farta documentação exibida durante o debate na Record - que ela votou “não”.
Seis dias pode parecer pouco tempo. Numa campanha eleitoral, no entanto, onde a imprevisibilidade ronda o dia a dia dos candidatos e o humor do eleitorado é instável, é tempo suficiente para reviravoltas eleitorais.
Resta o debate na Globo, e Marina ainda não foi suficientemente questionada sobre as atividades suspeitas do marido, Fábio Vaz, cujo nome aparece como réu em vários processos movidos pelo MPF com base em investigações da PF.
Como no processo do “caso Usimar”, por exemplo, onde Fábio Vaz e outras 40 pessoas são acusados de desviar R$ 44,2 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia para a construção, em São Luís (MA), de uma fábrica de autopeças que nunca saiu do papel. Também aparecem como envolvidos a governadora Roseana Sarney e o marido dela, Jorge Murad.
Portanto, é bom não subestimar o candidato tucano. Marina ainda não está garantida no segundo turno.
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