É tudo muito óbvio, não enxerga quem não quer. O governo sabia que as sedes dos Três Poderes, em Brasília (DF), seriam invadidas por golpistas num atentado tresloucado à democracia. Gonçalves Dias, o então ministro-chefe do GSI – o Gabinete de Segurança Institucional – fora avisado por telefone duas horas antes da invasão, segundo revelado à CPMI do 8 de Janeiro pelo ex-diretor-adjunto da Abin – a Agência Brasileira de Inteligência – Saulo Moura da Cunha. A revelação de Saulo Cunha escancara uma verdade que paira no ar desde quando imagens do circuito interno exibiram o ministro-chefe do GSI confabulando com invasores dentro do Palácio do Planalto.
E mais: Saulo Cunha informou que entre os dias 2 e 8 de janeiro foram enviados 33 alertas de inteligência sobre o monitoramento dos manifestantes contrários ao governo Lula. E, pasmem, revelou que Gonçalves Dias – não o poeta, mas o general, então chefe do GSI – mandou alterar os dados da planilha de informações da Abin sobre o 8 de Janeiro. Afirmação grave, expõe o nível de comprometimento do governo na facilitação dos atentados.
No dia 27 de abril o jornal Folha de São Paulo publicara documentos do dia 6 de janeiro que comprovam os alertas que a Abin enviou ao GSI e ao Ministério da Justiça, sobre a possibilidade de ações violentas e invasões a prédios públicos nos atos que ocorreriam dois dias depois, em 8 de janeiro.
Está claro como a luz de um dia ensolarado: O governo sabia das invasões. O próprio ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, fora alertado por meio de um ofício – o de número 5/2023 – enviado pela Polícia Federal no dia 7 de janeiro, véspera dos atentados. Todavia, à CCJ da Câmara dos Deputados, o nosso comunista tupiniquim negou ter recebido qualquer alerta. Será que cometeu perjúrio?
Já falei aqui várias vezes: Essa CPMI é perda de tempo. É desperdício de recurso público. Um circo mambembe desnecessário. Qualquer observador minimamente atento percebeu que governo e oposição têm culpa no cartório. Um porque incitou porras-loucas a invadirem e o outro facilitou as invasões. O Congresso Nacional deveria se ocupar com coisa mais importante. A verdade sobre as invasões está escancarada, … isto é óbvio. George Orwell dizia que “Às vezes, ignoramos o óbvio por medo de confrontar a verdade que ele revela."
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