É fato que a crise econômica existe. Não é marolinha e nem surreal. Mas se a gente se deixar abalar pelo noticiário econômico do país, o cenário piora dentro de nós. Este Blog não é nenhum espaço destinado ao segmento de autoajuda, entretanto, me dou ao direito de expressar meu descontentamento com o tsunami que parece tomar conta de nós, cidadãos comuns que pouco entendem de macroeconomia, assustados que estamos pela avalanche de análises negativas feitas diuturnamente pela maioria dos mais renomados comentaristas econômicos do Brasil.
Sim, a crise existe. Parece mesmo profunda. Mas e daí? Se nos deixarmos contagiar por essa onda de pessimismo que assola as crônicas estaremos fadados a aprofundar e prolongar ainda mais os graves problemas do nosso país.
Sempre existiu crise. Vira e mexe, o tal “mercado” – este ser onipresente e dominador – aponta uma crise. Lembro, no entanto, que crise sempre existiu. A de 1994 foi terrível! O México, à época tido como uma nação em crescimento, praticamente foi à bancarrota. O Brasil seria o próximo, previu o “mercado”. Nem uma coisa nem outra. O México recuperou o fôlego e o Brasil, pasmem, adentrou naquele que pode ser considerado o período mais pujante da sua economia, com o advento do plano real.
Agora, dizem os analistas, a crise é maior porque o país está entregue aos esquemas de corrupção e o déficit das contas públicas seria insanável, devido à gastança com o social – leia-se: amparo à parte mais pobre e historicamente desassistida da população, com serviços e benefícios sociais distribuídos de maneira mais ampla e democrática.
Ora, corrupção sempre existiu entre nós. Somos um país saído das entranhas do que havia de mais sem-vergonha na sociedade portuguesa. Para cá, a Coroa despachou o que de pior existia em Portugal. As caravelas que aqui aportaram trouxeram prostitutas e gatunos da pior espécie, a escória portuguesa. Com uma origem dessas, não se deve estranhar o fato de a corrupção estar culturalmente enraizada no povo brasileiro.
Quanto à distribuição de riqueza oriunda dos cofres públicos, isto também sempre existiu. A diferença é que antes as benfeitorias com o chapéu alheio eram restritas a industriais e banqueiros que detinham o poder econômico e limitavam-se geograficamente ao eixo Rio-São Paulo e Minas. Se examinado com olhar imparcial, a dinheirama que banca os “bolsas da vida” não difere em montante daquela que lá trás, na nossa história, gerou a riqueza de uns poucos.
Breve a crise atual estará superada e vai entrar para a coletânea das crises econômicas que passaram por aqui e que nos ajudaram a ser o povo forte e resistente que somos. O Brasil é maior do que os maus políticos e já sobreviveu a tempestades tão intensas quanto a que está passando. A nós, brasileiros, cabe o dever cívico de acreditar mais em nosso país. Essa onda de espírito pessimista que varre o país em nada vai nos ajudar.
Em tempo: Antes que algum precipitado faça mau juízo, não sou petista e nem tucano, embora tenha votado no Aécio na última eleição presidencial.
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