POR RICARDO MARQUES
No pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, protocolado ontem no Senado, a oposição o acusa de extrapolar os limites da função, participar de evento político e ferir a liberdade de expressão.
O caso ganha contornos ainda mais delicados no Maranhão, onde aliados do ex-governador são apontados em denúncias de tráfico de influência, usando o nome de Dino para pressionar o governador Carlos Brandão a renunciar. A ideia seria abrir caminho para que o vice, Felipe Camarão, assumisse o cargo e disputasse as próximas eleições, com a turma no comando da máquina do Palácio dos Leões.
Essas denúncias reforçam a percepção de que a fronteira entre o poder político e o poder judicial anda cada vez mais borrada, e que o peso da toga, em certos casos, parece servir também como instrumento de influência. No Congresso, o gesto tem claro tom de recado: a paciência com o Supremo está no limite.
Críticos lembram, porém, que nenhum pedido desse tipo prosperou até hoje, e que a ofensiva da oposição pode ter mais valor simbólico do que jurídico. Ainda assim, o episódio deixa uma marca: o Brasil vive um tempo em que o poder já não se limita — apenas se enfrenta. E no meio desse embate, fica a pergunta que ecoa: quem controla o poder, quando o poder parece não ter mais controle?
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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