Um levantamento da Oxfam Brasil, organização que atua no combate às desigualdades sociais e econômicas, aponta que Maranhão, Pará e Amapá lideram o ranking nacional da pobreza energética — condição que vai além da simples falta de eletricidade e reflete o acesso precário, inseguro e caro à energia necessária para necessidades básicas, como conservar alimentos e amenizar o calor.
O estudo, intitulado Encruzilhada Climática – Um retrato das desigualdades brasileiras, mostra que as desigualdades regionais tornam Norte e Nordeste as áreas mais afetadas pela crise energética. Mesmo com a abundância de hidrelétricas na Amazônia, como Belo Monte e Tucuruí, famílias maranhenses e de outros estados da região ainda enfrentam custos elevados e fornecimento instável, especialmente em localidades isoladas e fora do Sistema Interligado Nacional.
De acordo com o Índice Multidimensional de Pobreza Energética usado pela Oxfam, quanto maior o indicador, maior a carência — e o Maranhão está entre os três piores resultados do país. Em famílias que vivem com até um salário mínimo, quase 40% da energia é usada apenas para conservar alimentos, enquanto o uso para climatização é mínimo, mesmo sob temperaturas elevadas.
A Oxfam alerta que o alto custo da energia compromete a renda familiar, agravando a fome e a exclusão social. A organização espera que a COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém, discuta soluções para garantir uma transição energética justa, especialmente nas regiões mais pobres e desiguais do Brasil.
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