POR RICARDO MARQUES
Vivemos tempos curiosos: não é a crítica que precisa provar sua utilidade, é o poder que parece não suportar sua existência. No Maranhão, seis publicações jornalísticas sobre suspeitas de corrupção passiva envolvendo policiais militares e o vice-governador Felipe Camarão simplesmente desapareceram do ar. Não por erro comprovado, mas por decisões judiciais rápidas, silenciosas e, curiosamente, sem ouvir quem publicou.
As ordens vieram com multas pesadas e até com proibição de novas publicações. Um detalhe incômodo: os próprios registros do Judiciário indicam a existência de investigações, algumas em sigilo, inclusive com menções no STJ. Ou seja, não se trata de boato de esquina, mas de fatos em apuração.
Aí surge o paradoxo: se há investigação, por que a alergia à notícia? Se nada há a temer, por que o remédio extremo da retirada prévia de conteúdo? O STF já deixou claro que censura prévia não combina com democracia. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos reforça: calar jornalistas gera efeito inibidor, esfriando a imprensa como quem apaga a luz do debate público.
Crítica não é condenação. Pergunta não é sentença. Mas impedir a circulação da informação, isso sim, é um sinal preocupante de fragilidade institucional — e de intolerância ao contraditório.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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