POR RICARDO MARQUES
Nos bastidores da política, nem sempre quem lidera pesquisas se sente seguro para dar o próximo passo. No Maranhão, o governador Carlos Brandão é um exemplo claro disso. Embora tenha capital eleitoral sobrando para disputar o Senado, ele resiste a renunciar ao cargo e prefere ir até o fim do mandato — vai "zéreinaldear", como eu costumo dizer.
A razão é simples e, ao mesmo tempo, reveladora: o temor da traição. Brandão não aceita entregar o comando do Palácio dos Leões a um vice com quem rompeu politicamente e que, segundo ele próprio, se aliou a seus adversários. Em política, confiança é ativo raro — e quando ela se perde, o risco passa a falar mais alto que a ambição.
Esse receio não nasce do nada. Em 2014, no Piauí, o então governador Wilson Martins renunciou para disputar o Senado. Perdeu a eleição e jamais recuperou o espaço político que tinha. Aquele episódio ficou marcado como um alerta: quando não há confiança, largar o governo pode significar ficar sem nada.
Brandão prefere evitar esse roteiro. Apesar de abrir mão de uma candidatura que, em tese, lhe garantiria uma eleição tranquila para o Senado, ao permanecer no cargo, mantém o controle da máquina, preserva o poder e reduz incertezas, ao mesmo tempo em que segue na construção de um nome de confiança para sua sucessão no Palácio dos Leões: o de Orleans Brandão, hoje seu principal projeto político.
É uma escolha defensiva, pragmática e típica de tempos em que a política cobra mais cautela do que ousadia.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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