POR RICARDO MARQUES
Volto a falar na eleição para o Senado, que neste ano não é só mais um detalhe do calendário eleitoral. É uma das disputas mais estratégicas da política brasileira. Estarão em jogo 54 das 81 cadeiras — dois terços da Casa —, com mandatos de oito anos. O Senado que sair das urnas em 2026 vai definir o equilíbrio institucional do país a partir de 2027.
Não é exagero. Cabe ao Senado julgar o presidente da República e ministros do Supremo, além de aprovar indicações ao STF, ao STJ, ao Banco Central, à Procuradoria-Geral da República, ao corpo diplomático e a outras funções-chave do Estado. O próximo Senado poderá, inclusive, influenciar diretamente a renovação do Supremo, com indicações pendentes e aposentadorias já previstas.
Foi nesse contexto que causei desconforto para algumas figuras ao afirmar, ontem, que a deputada federal e ex-governadora Roseana Sarney pode entrar na disputa ao lado do senador Weverton Rocha, que buscará a reeleição. Ambos lideram as pesquisas no Maranhão. Numa eventual chapa encabeçada por Orleans Brandão, eles teriam o aval de Lula.
Eleitos, Weverton e Roseana ofereceriam previsibilidade e tranquilidade institucional num eventual novo governo Lula. Weverton, filiado ao PDT desde os 16 anos e considerado um dos mais hábeis articuladores no Congresso, é hoje o único nome claramente competitivo da esquerda no estado. Já a senadora Eliziane Gama vive um momento difícil junto à opinião pública, inclusive em seu segmento evangélico.
Esse vazio ajuda a explicar o avanço da direita no Maranhão — um reduto histórico do lulismo — e o crescimento de nomes como Roberto Rocha e André Fufuca, cuja trajetória no Centrão levanta dúvidas legítimas sobre seu alinhamento futuro no Senado, a despeito de hoje ocupar o cargo de ministro dos Esportes no governo Lula.
Roseana não é de esquerda, nunca foi. Mas mantém uma relação histórica com Lula e carrega o peso político de ser filha de José Sarney, interlocutor frequente do presidente em momentos decisivos.
Em eleições para o Senado, ideologia conta — mas estabilidade institucional conta ainda mais.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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