POR RICARDO MARQUES
Nestes dias de recesso, aproveitei para reler O Estrangeiro, de Albert Camus. E a sensação permanece a mesma: não é um livro para confortar, é um livro para desinstalar.
Camus nos apresenta Meursault, um homem que se recusa a fingir sentidos onde talvez eles não existam. Ele não dramatiza a morte, não sacraliza a rotina, não inventa explicações para o mundo. E é exatamente por isso que se torna um problema.
A sociedade não o julga apenas pelo crime que comete — um homicídio aparentemente banal —, mas por sua incapacidade de participar do teatro coletivo das emoções. Meursault é condenado por não mentir para si mesmo. Por não atribuir sentido ao que, talvez, não tenha sentido algum.
Camus nos confronta com o absurdo: o desejo humano de ordem e significado diante de um mundo silencioso e indiferente. O desconforto não está em Meursault — está em nós, que precisamos de respostas prontas para continuar em pé.
Reler O Estrangeiro é encarar uma pergunta incômoda: vivemos por convicção ou por hábito? Por lucidez ou por medo do vazio?
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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