POR RICARDO MARQUES
Uma canetada da Justiça do Trabalho pôs fim à greve dos ônibus de São Luís. Pôs fim, vírgula. Parte dos rodoviários não compareceu às empresas para trabalhar, e os ônibus urbanos não saíram às ruas, dando sequência a mais um dia de paralisação. Uma paralisação que é mais um espetáculo de ilusionismo. O ludovicense parece já acostumado ao velho enredo: o prefeito some, o problema fica.
Nesse tipo de situação, Eduardo Braide pratica sempre a mais antiga das artes políticas: a arte de não tocar no assunto. Ele tergiversa, enquanto o cidadão fica no ponto, esperando um ônibus que não vem e uma autoridade que não aparece.
É curioso: o contrato é o mesmo. Com ele, na gestão passada, a frota foi renovada em mais de 90%. Entraram 400 ônibus com ar-condicionado. Vieram bilhete único, aplicativo, cartão criança, biometria facial. Ou seja: quando a Prefeitura cumpria sua parte, sabia cobrar a parte dos empresários.
Mas contrato, como casamento, só funciona quando os dois lados comparecem. A gestão Braide resolveu faltar. Não fiscaliza, não exige, não governa. Atrasa repasses. Depois, posa de espectador indignado diante do caos que sua omissão ajudou a criar.
Não é falta de instrumento. É falta de vontade. O prefeito trocou política de transporte por política com o transporte. E, enquanto faz discurso, a cidade paga a passagem — em dinheiro, em tempo e em dignidade.
Greve não se enfrenta com silêncio, nem com nota burocrática, canetada ou vídeo no TikTok. Enfrenta-se com gestão. E isso, claramente, não esteve em circulação no governo Braide.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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