POR RICARDO MARQUES
O escândalo do TJMA ganhou um novo e indigesto capítulo. A malfadada migração dos recursos do Banco do Brasil para o BRB — já nebulosa desde a origem — agora aparece ligada a algo ainda mais perturbador: segundo reportagem do Estadão, verbas indenizatórias milionárias foram pagas a magistrados com dinheiro proveniente da remuneração gerada por esse negócio.
Ou seja: o dinheiro público saiu de um banco sólido, atravessou uma decisão administrativa controversa, rendeu ganhos financeiros e, no fim da linha, ajudou a bancar penduricalhos de cifras generosas. Tudo muito legal no papel, talvez. Mas profundamente imoral na fotografia geral.
A pergunta que ecoa é simples e incômoda: quem ganhou com essa operação? O Judiciário maranhense ou um pequeno círculo dentro dele? Enquanto isso, o cidadão comum — aquele que enfrenta filas, processos lentos e um sistema que raramente lhe sorri — assiste a mais um episódio de autoproteção corporativa travestida de normalidade institucional.
Não se trata de tecnicalidade bancária. Trata-se de ética. Trata-se de confiança pública. E, sobretudo, de saber se o Judiciário, que deveria ser o último reduto moral da República, aceita financiar seus privilégios com manobras que cheiram mal.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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