POR RICARDO MARQUES
O Brasil voltou a liderar um ranking que ninguém deveria disputar. Somos, mais uma vez, o país que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo. Uma liderança macabra, persistente, que atravessa governos, discursos, promessas e estatísticas.
É verdade: os números caíram em relação a 2024. Mas cair de um abismo não transforma a tragédia em alívio.O topo desse ranking nos acompanha há quase duas décadas. Não é acaso. É sistema. É indiferença. É uma sociedade que ainda tolera que parte de seus cidadãos viva sob ameaça permanente.
O dado mais cruel não está apenas na contagem dos mortos, mas no perfil das vítimas: jovens, negras, pobres, invisíveis. Gente que antes de ser assassinada já havia sido expulsa da escola, do trabalho, da família e, muitas vezes, do próprio direito de existir.
Quando o Estado não registra, quando a polícia não investiga, quando a política silencia, a violência deixa de ser exceção e vira método. E aí não estamos falando apenas de transfobia. Estamos falando de falência moral.
O Brasil gosta de se apresentar como país cordial. Mas um país que mata seus filhos por aquilo que eles são não é cordial. É cúmplice.
Enquanto tratarmos essas mortes como estatística e não como escândalo nacional, essa liderança infeliz continuará sendo nossa.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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