POR RICARDO MARQUES
Há um personagem trágico vagando pelas ruas de São Luís: o passageiro de ônibus. Ele não pega condução — ele espera um milagre. E milagre, como sabemos, só acontece em procissão. Na vida real, o que há é atraso, superlotação e humilhação diária.
Como bem lembrou o jornalista Leonardo Alves, do portal Difusora News, anteontem completou um ano — repito, um ano — desde que o prefeito Eduardo Braide anunciou, com solenidade quase bíblica, a sanção da lei que autorizava uma nova licitação do transporte coletivo. Um ano! Em política, isso é uma eternidade; em sofrimento popular, é uma via-crúcis. E há um detalhe quase macabro: o atual contrato foi firmado em 2016, com validade de 20 anos — vai até 2036. E ainda pode ser prorrogado por mais 10, ou seja, pode ir até 2046. Traduzindo: o cidadão já está condenado antes mesmo do julgamento — e a pena pode ser estendida.
O problema do transporte é o ponto nevrálgico da cidade de São Luís — o nervo exposto. E o que vemos? Uma curiosa leniência do prefeito. Uma espécie de contemplação filosófica do caos. Como se a crise fosse uma obra de arte moderna: ninguém entende, mas todos fingem que está sob controle.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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