POR RICARDO MARQUES
Há números que não explicam o Brasil. Eles desnudam o Brasil. São Paulo deve mais de 370 bilhões de reais. O Rio de Janeiro, quase 220 bilhões. Minas Gerais passa dos 190 bilhões. O Rio Grande do Sul flerta com os 130 bilhões. Estados ricos, modernos, cheios de discurso meritocrático — e profundamente endividados. Uma espécie de luxo brasileiro: dever muito e ainda dar lição de moral.
Enquanto isso, o Maranhão aparece com algo em torno de 5 bilhões em dívidas. Pouco. Não porque seja rico, organizado ou iluminado por gênios da gestão pública. Mas porque é pobre. Porque não tem crédito fácil. Porque não tem o direito ao erro em larga escala.
E aqui nasce a farsa nacional. Quem vive renegociando dívida, pedindo carência e estendendo prazo, aponta o dedo para quem mal consegue financiar o básico. O Sul e o Sudeste, campeões da dívida, tratam o Nordeste como se fossem auditores da República — quando, na verdade, são clientes antigos do caixa federal.
O mapa — ou melhor, os números — não falam de virtude. Falam de privilégio. Privilégio de gastar, de errar, de dever e continuar sendo aplaudido.
Antes de atacar o Maranhão, talvez seja o caso de pagar a própria conta.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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