Ricardo Marques

Prioridades de banana

Por: O comentário do dia de Ricardo Marques | Publicado: 23/02/2026 07:08 - 0 comentário


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POR RICARDO MARQUES 

No país onde a corrupção faz carnaval fora de época — e sem precisar de abadá — o Ministério Público Federal resolveu entrar em campo contra a… pronúncia da palavra “recorde” na TV Globo. Isso mesmo. Enquanto bilhões evaporam com a elegância de um truque de ilusionismo, discute-se se o apresentador disse “récorde” ou “recórde”. É o Brasil transformando a fonética em questão de Estado.

A cena seria cômica, se não fosse trágica. Parece roteiro rejeitado de pornochanchada: dez milhões de reais por causa de um acento tônico. É isso. O escândalo virou sílaba. A justificativa é proteger o patrimônio cultural da língua portuguesa. Que beleza, hein! O dinheiro público pode ser saqueado, a ética pode ser estuprada em praça pública, mas o importante… o importante é garantir que o apresentador fale “recórde” e não “récorde”.

O Brasil virou uma repartição de gramática com toga. São autoridades de toga perseguindo sílabas, enquanto crimes graúdos passeiam de limusine blindada — inclusive, pelas entranhas do Judiciário. É como multar o garçom porque a taça está mal polida, ignorando que o restaurante está pegando fogo.

Não se trata de defender emissora nenhuma. Trata-se de perguntar: é sério? Num Brasil onde faltam insumos nos hospitais, escolas caem aos pedaços e escândalos se acumulam como entulho moral, a urgência institucional virou acento tônico?

Talvez seja apenas isso: quando falta coragem para enfrentar gigantes, caça-se mosquito com bazuca… ou melhor, com gramática.

Veja o comentário em vídeo (aqui)



Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques

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