POR RICARDO MARQUES
O calendário político do Maranhão entra agora em uma contagem regressiva delicada. O governador Carlos Brandão e o prefeito Eduardo Braide têm até 4 de abril — exatamente um mês a partir de agora — para decidir se deixam seus cargos e entram oficialmente na disputa eleitoral.
Não é uma escolha simples.
No caso de Brandão, há sinais claros de que o governador pode permanecer no cargo até o fim do mandato e trabalhar a eleição de um sucessor. Nos bastidores, o projeto gira em torno do nome do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão. É a estratégia que eu chamo de “zéreinaldear”, numa referência a José Reinaldo Tavares que, em 2006, ficou no governo e conseguiu eleger Jackson Lago.
A vantagem dessa opção é óbvia: o controle da máquina administrativa e do processo político. O risco também existe: transferir votos nunca é uma ciência exata. E ficar sem foro privilegiado é sempre temerário — mais ainda para quem tem um desafeto tão “superior”.
Do outro lado está Eduardo Braide. Pelas pesquisas conhecidas, aparece como o nome mais competitivo do campo oposicionista. Mas disputar o governo significa deixar a Prefeitura de São Luís e enfrentar diretamente o Palácio dos Leões — algo que a história política maranhense mostra ser, muitas vezes, uma tarefa inglória.
Renunciar pode ampliar seu protagonismo estadual. Permanecer garante estabilidade administrativa e preserva capital político.
E como sempre acontece na política, há torcidas organizadas dos dois lados. Uns querem que renunciem. Outros preferem que fiquem. Mas essas torcidas raramente pensam no destino político de Brandão ou de Braide — pensam, sobretudo, nos próprios interesses.
Nas próximas semanas, mais do que discursos, o Maranhão observará decisões.
E decisões, em política, costumam definir destinos.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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