POR RICARDO MARQUES
Até que enfim apareceu um relatório sobre o Passe Livre estudantil em São Luís. Custos, impacto financeiro, fontes de financiamento… tudo muito técnico, muito detalhado.
Uma maravilha.
Só tem um pequeno detalhe: isso deveria ter sido feito antes do plebiscito.
A população foi chamada a votar numa proposta cujo custo ninguém sabia explicar direito. Era quase um exercício de fé cívica: vote primeiro… e depois a gente vê como é que fica.
Agora começam a aparecer os números: de R$ 7 milhões a R$ 75 milhões por ano.
Nada mal para algo que foi apresentado ao eleitorado quase como um gesto de boa vontade.
Eu disse isso desde o início: fui contra levar essa questão a plebiscito. Não porque o Passe Livre seja um absurdo — várias cidades têm.
Mas porque isso não é assunto para plebiscito. É assunto para gestão pública.
Se prefeito e vereadores quisessem, há tempos São Luís já teria Passe Livre.
O plebiscito serviu mais como instrumento de pressão política do que como instrumento de decisão.
Porque política pública séria não funciona desse jeito. Primeiro vêm os estudos. Depois vêm os custos. Depois, a viabilidade.
Aqui fizeram o contrário: primeiro veio o entusiasmo… depois começaram a procurar a calculadora.
E, convenhamos, também não parece haver grande disposição no Palácio de La Ravardière para bancar essa conta — o prefeito não mexe um músculo para viabilizar a medida que beneficiaria milhares de estudantes.
No fim das contas, o risco é o de sempre na política brasileira: muita consulta popular, muito discurso bonito…
e pouca coragem para transformar voto em realidade.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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