POR RICARDO MARQUES
Quando a política invade a estatística, o país começa a entrar na zona do absurdo. Agora o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu o afastamento do presidente do IBGE, Márcio Pochmann. A acusação é grave: risco à autonomia técnica e à credibilidade das estatísticas oficiais do Brasil.
Entre as denúncias estão trocas de servidores experientes por gente recém-chegada, mudanças em áreas sensíveis como as Contas Nacionais — justamente onde se calcula o PIB — e a tentativa de criar uma fundação paralela, a tal “IBGE+”, sem lei que autorizasse a brincadeira.
Ora, mexer no IBGE é como adulterar o termômetro do país. Não muda a febre, mas muda a mentira sobre a febre.
O IBGE não é um ministério de propaganda. É o cartório da realidade brasileira. É ali que o país se olha no espelho — renda, inflação, desemprego, pobreza. Se o espelho vira instrumento político, o Brasil passa a viver numa casa de espelhos deformados.
E quando estatística vira militância, a democracia entra em coma aritmético.
Imagine o desastre: um governo que não melhora os números passa a melhorar… os números.
O problema não é só administrativo. É civilizatório. Porque um país que perde a confiança em seus dados perde a bússola da realidade. E sem realidade, qualquer governo vira ficção.
No fundo, o escândalo é esse: querem transformar matemática em propaganda.
Mas a aritmética tem um defeito terrível para os políticos: ela não vota, não milita… e não mente.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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