Ricardo Marques

Diante do abismo

Por: O comentário do dia de Ricardo Marques | Publicado: 15/03/2026 07:54 - 0 comentário


Compartilhe:


POR RICARDO MARQUES 

A morte nos assusta porque desmonta a maior ilusão humana: a de que temos tempo infinito. Vivemos adiando decisões, sentimentos e mudanças — até percebermos que o relógio nunca esteve parado.

Os filósofos existencialistas diziam que a consciência da morte não deveria nos paralisar, mas nos libertar. Se somos finitos, então cada escolha ganha peso real. Não há ensaio geral. Não há rascunho. A vida é texto definitivo.

Talvez temamos a morte porque ela nos obriga a encarar uma pergunta incômoda: estou vivendo por mim ou apenas repetindo roteiros alheios? A finitude revela que não podemos terceirizar o sentido da existência.

Nada material nos acompanha. O que levamos é aquilo que nos transformou por dentro: a lucidez conquistada, as experiências vividas com verdade, a coragem — ou a omissão — diante do que importava.

E o que deixamos são marcas invisíveis: influências, memórias, consequências. Somos, em parte, aquilo que permanece nos outros.

A morte não é inimiga da vida; é a fronteira que a torna urgente. Saber que vamos partir deveria nos ensinar a chegar — de verdade — ao presente.

Veja o comentário em vídeo (aqui)



Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques

Deixe seu comentário aqui

Verificação de segurança

Comentários


Nenhum comentário foi encontrado, seja o primeiro a comentar!