POR RICARDO MARQUES
A morte nos assusta porque desmonta a maior ilusão humana: a de que temos tempo infinito. Vivemos adiando decisões, sentimentos e mudanças — até percebermos que o relógio nunca esteve parado.
Os filósofos existencialistas diziam que a consciência da morte não deveria nos paralisar, mas nos libertar. Se somos finitos, então cada escolha ganha peso real. Não há ensaio geral. Não há rascunho. A vida é texto definitivo.
Talvez temamos a morte porque ela nos obriga a encarar uma pergunta incômoda: estou vivendo por mim ou apenas repetindo roteiros alheios? A finitude revela que não podemos terceirizar o sentido da existência.
Nada material nos acompanha. O que levamos é aquilo que nos transformou por dentro: a lucidez conquistada, as experiências vividas com verdade, a coragem — ou a omissão — diante do que importava.
E o que deixamos são marcas invisíveis: influências, memórias, consequências. Somos, em parte, aquilo que permanece nos outros.
A morte não é inimiga da vida; é a fronteira que a torna urgente. Saber que vamos partir deveria nos ensinar a chegar — de verdade — ao presente.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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