POR RICARDO MARQUES
Dizer a verdade, hoje, virou esporte radical. A sensação é de que, se você ousa apontar o óbvio, algum poderoso — desses feitos de cristal, mas que se acham aço — vem correndo para se ofender. George Orwell já tinha sacado o drama quando escreveu:
“Quanto mais uma sociedade se afasta da verdade, mais ela odeia aqueles que a dizem.”
Profético, né?!
Parece até crônica do nosso dia a dia, em que a verdade virou uma espécie de vírus que só infecta quem tem culpa no cartório.
E não é de agora. Na mitologia grega, Cassandra ganhou o dom de prever o futuro — e a maldição de nunca ser acreditada. Uma tragédia ambulante: via o desastre, alertava, explicava… e era tratada como inconveniente.
Pois é.
Mudam-se os séculos, mas o roteiro é o mesmo.
Criticar o poderoso, ainda que com precisão cirúrgica, virou sinônimo de rebeldia imperdoável. Eles não querem a verdade; querem a bajulação e o silêncio confortável que embala suas vaidades.
E aí, quando alguém aparece com uma fagulha de sinceridade, pronto: é tratado como ameaça.
A verdade, para certas figuras, dói mais que queda de pedestal.
Dói porque desmonta ficções, arranca máscaras, quebra narrativas cuidadosamente polidas como mármore de templo antigo.
Mas, como Cassandra aprendeu — e nós também deveríamos — calar só prolonga a tragédia. A verdade pode irritar, mas ainda é o único antídoto contra o teatro farsesco que tanto nos cerca.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
Deixe seu comentário aqui
Comentários
Nenhum comentário foi encontrado, seja o primeiro a comentar!