POR RICARDO MARQUES
A condenação dos deputados federais pelo Maranhão, Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, e do suplente por Sergipe, João Bosco — todos do PL — impõe uma reflexão que vai além dos nomes envolvidos.
O crime? Corrupção no uso de emendas parlamentares.
O julgamento trata de fatos analisados pela Justiça — e é a partir deles que se impõe a reflexão. E aqui não se trata de juízo pessoal, mas de um fato que exige análise pública.
Dito isso, cabe um lamento.
Porque, goste-se ou não de Josimar Maranhãozinho, é inegável: trata-se de um político habilidoso, estrategista, com rara capacidade de articulação.
Os números confirmam essa avaliação.
O PL, sob sua liderança no Maranhão, tornou-se o partido mais vitorioso do estado nas últimas eleições. Em 2022, elegeu quatro deputados federais e cinco estaduais. Em 2024, alcançou a marca de cerca de 40 prefeitos.
Isso não é obra do acaso. É método, estratégia e leitura de cenário.
E é justamente por isso que a condenação pesa ainda mais.
Não se trata de um político qualquer, mas de alguém que demonstrou capacidade real de construir poder — e que, segundo a Justiça, desviou-se do caminho.
O Brasil, infelizmente, tem uma longa tradição de talentos políticos que se perdem. Não por falta de habilidade, mas por escolhas.
E talvez esse seja o ponto mais duro de todos.
Não é apenas a condenação.
É a constatação de que competência, quando dissociada de integridade, deixa de ser virtude — e passa a ser risco.
A política precisa de inteligência, sim. Mas precisa, sobretudo, de limites.
Porque, sem eles, até os mais capazes acabam tropeçando — e levando consigo a confiança que a sociedade ainda tenta preservar nas instituições.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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