POR RICARDO MARQUES
Dizem que a fé move montanhas. Mas será mesmo? Ou será que ela, antes de tudo, move o homem — e é o homem, quando se move, que acaba deslocando as montanhas da vida?
Porque a montanha de verdade não é de pedra. É o medo, a dúvida, o desânimo, a solidão. E contra isso, não há trator, não há máquina, não há poder humano que resolva sem um empurrão invisível… esse empurrão que a gente chama de fé.
Mas será que é possível viver sem fé? Eu desconfio que não. Até quem diz não acreditar em nada… acredita. Acredita que amanhã vai amanhecer. Que o esforço vale a pena. Que a vida segue. Isso também é fé — ainda que sem altar, sem vela e sem reza.
Eu me considero um homem de fé. Sou católico. Creio em Jesus Cristo. Sou devoto de São Bento e de Nossa Senhora das Candeias — que, no Candomblé, também atende pelo nome de Iemanjá. Mas confesso: sou um católico fuleiro. Quase não vou à missa. Não me confesso com padre.
Porque, no fim das contas, eu converso com Deus todos os dias. Duas vezes por dia, no mínimo. E nessas conversas, sem liturgia e sem plateia, talvez exista mais verdade do que em muito ritual automático.
A fé, no fundo, não está na frequência do templo, mas na constância do diálogo. Não está no gesto público, mas na convicção silenciosa.
E talvez seja isso que realmente mova montanhas: não a fé como discurso… mas a fé como prática íntima, teimosa e cotidiana.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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