POR RICARDO MARQUES
Quando a política deixa de resolver seus próprios conflitos, ela recorre ao Judiciário.
E quando recorre demais algo muda no jogo.
O que estamos vendo hoje no Maranhão não é apenas uma disputa entre grupos.
É um sintoma.
Decisões judiciais começam a produzir efeitos diretos sobre o poder político —
quem fica, quem sai, quem pode, quem não pode.
E aí surge a pergunta que realmente importa:
quem governa — o voto ou a caneta?
Não se trata aqui de defender A ou B.
Nem de transformar investigação em perseguição, ou decisão judicial em complô.
Trata-se de perceber um movimento maior.
Quando a política se judicializa,
o conflito deixa de ser resolvido nas urnas
e passa a ser decidido nos autos.
E isso tem um preço.
Porque juiz não é eleito.
Ministro não disputa voto.
E decisão judicial, por mais legítima que seja, não substitui vontade popular.
Se há ilegalidade, que se apure.
Se há erro, que se corrija.
Mas quando a Justiça passa a ocupar o espaço da política, a democracia entra numa zona cinzenta.
Nem ditadura da toga.
Nem impunidade de gabinete.
O que se exige é equilíbrio —
algo que anda cada vez mais raro.
No fim das contas, a questão é simples, mas incômoda:
quem está decidindo os rumos do Maranhão?
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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