POR RICARDO MARQUES
A tradição cristã chama a Quarta-feira Santa de Dia da Traição. É quando se recorda o momento em que Judas decide entregar Jesus por algumas moedas. A história é antiga, mas o mecanismo é eterno: a troca de lealdade por conveniência.
Talvez por isso a política seja um terreno tão fértil para traições. Ali, muitas fidelidades duram apenas até a próxima eleição — ou até a próxima oportunidade. Entenda: mudar de opinião ou trocar de grupo é aceitável. O feio é mudar no meio de uma batalha eleitoral. Aí é sacanagem!
No Maranhão, temos exemplos frescos na memória. Em 2022, o então presidente da Assembleia, Othelino Neto, fazia juras quase litúrgicas de fidelidade ao senador Weverton, então candidato ao governo. Era devoção pública, dessas que parecem indestrutíveis. Mas a política tem seus milagres — ou seus preços. Bastou lhe oferecerem para a mulher a vaga de primeiro suplente de Flávio Dino, e… pimpa! — a fidelidade do alemão evaporou como incenso ao vento.
No mesmo enredo eleitoral, outra trairagem notável foi protagonizada pela senadora Eliziane Gama — logo ela, que se diz crente. Mudanças de posição que, na política, costumam ser explicadas como estratégia… mas que o eleitor muitas vezes enxerga como covardia mesmo.
No fundo, o Dia da Traição não é apenas uma lembrança religiosa. É também um espelho da natureza humana — onde a lealdade vale muito… até aparecer algo que pareça valer mais.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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