POR RICARDO MARQUES
Tem pesquisa que revela o eleitor.
E tem pesquisa que revela quem a fez.
Aquela do Instituto Veritá, divulgada semana passada, não é retrato — é rascunho mal apagado.
Começa pelo básico: a pesquisa teria sido divulgada antes mesmo de terminar. É isso mesmo. O resultado chega antes da realidade. Nem Mãe Dinah arriscaria tanto.
Depois vem o dinheiro: mais de cem mil reais pagos pelo próprio instituto. Generosidade súbita? Ou investimento com expectativa de retorno político?
E aí entra a mágica metodológica.
Superdimensiona São Luís, espreme o interior, ignora regiões inteiras e, no fim, entrega um resultado conveniente para quem tem base limitada à capital. Coincidência? Claro. E Papai Noel vota em seção especial.
Quando se olha o mapa da amostra, parece menos pesquisa e mais recorte dirigido. Escolhe onde ouvir e, naturalmente, escolhe o que vai encontrar.
E os números? Fora da curva. Tão fora que nem conversam com outras pesquisas. É como se o Maranhão dessa pesquisa fosse outro estado — talvez um estado imaginário — uma terra de Nárnia —, onde bichos falam e estatística vira ferramenta de marketing.
Não por acaso, a Justiça Eleitoral acendeu logo o alerta. Reconheceu inconsistências e determinou: pode divulgar, mas avisando que está sob suspeita. É quase um rótulo: “consuma com desconfiança”.
No fundo, o problema não é errar.
O problema é errar sempre para o mesmo lado.
Porque aí deixa de ser pesquisa e passa a ser peça de campanha disfarçada de ciência.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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