POR RICARDO MARQUES
O poeta advertiu: “a solidão é fera, a solidão devora, e causa um descompasso no coração”.
É verdade. Mas nem toda solidão é abismo. Há uma outra — silenciosa, discreta — que não devora… lapida.
A solidão também é oficina da alma.
É no recolhimento que a gente se escuta sem ruído, sem plateia, sem máscara. É ali que os pensamentos criam coragem, que as dores encontram nome, que a consciência deixa de sussurrar… e passa a falar.
Num mundo barulhento, estar só virou quase um ato de resistência.
A solidão bem vivida não é ausência — é presença de si. Não é fuga — é encontro. Não é vazio — é espaço. Espaço para pensar, para criar, para reorganizar o que dentro da gente andava em desordem.
Grandes ideias nascem no silêncio. Grandes decisões amadurecem no afastamento. E, muitas vezes, é preciso se retirar do mundo… para voltar melhor a ele.
O perigo não está em estar só — está em não saber voltar.
Porque a solidão que constrói é aquela que prepara o reencontro: com o outro, com a vida, com o sentido.
No fim das contas, talvez a solidão não seja a fera que nos devora… mas o fogo que nos transforma.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
Deixe seu comentário aqui
Comentários
Nenhum comentário foi encontrado, seja o primeiro a comentar!