POR RICARDO MARQUES
Vivemos numa época curiosa: nunca se falou tanto de saúde mental — e talvez nunca tenhamos sido tão frágeis espiritualmente. Há uma dificuldade crescente em lidar com os próprios demônios interiores.
Nietzsche advertia: “Ninguém pode construir para você a ponte sobre a qual você deve cruzar o fluxo da vida. Ninguém pode fazer isso além de você mesmo.”
Mas a nossa época parece querer terceirizar essa travessia.
Não se trata exatamente de algo novo. Durante séculos, as famílias despejavam seus segredos, culpas e temores no confessionário. A igreja, de posse dessas fragilidades, acumulava poder e influência. Hoje, já não são os padres os grandes confidentes da insegurança humana — são os psicólogos. Mudaram os personagens, mas a dinâmica continua parecida: alguém sempre disposto a ouvir nossas angústias… e nós, muitas vezes, pouco dispostos a enfrentá-las.
E eu sei: dizer isso costuma provocar irritação. Ninguém gosta que toquem em suas feridas ou apontem suas fragilidades, ainda que de forma genérica.
Mas Nietzsche também lembrava outra coisa incômoda: “É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante.”
Talvez o problema do nosso tempo seja justamente esse: queremos a estrela… mas fugimos do caos.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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