POR RICARDO MARQUES
Há acontecimentos que não fazem barulho — mas dizem muito.
A criação da Liga Acadêmica de Libras de Caxias é um deles.
Num tempo em que tanto se fala e tão pouco se escuta, nasce uma iniciativa que nos lembra o essencial: comunicar não é apenas emitir palavras — é alcançar o outro.
A Libras não é um detalhe, nem um apêndice da educação. É uma ponte. E pontes, quando bem construídas, mudam destinos.
Ao surgir dentro da universidade pública, essa liga cumpre um papel que vai além da sala de aula. Ela aponta para uma ideia de ensino que não se fecha em si mesmo, mas se abre — para incluir, para compreender, para traduzir o mundo em mais de uma linguagem. Sob a orientação da professora Erlinda Bittencourt, do Departamento de Letras da UEMA — profissional qualificada e professora por vocação — a iniciativa também carrega a marca de quem forma não apenas alunos, mas trajetórias. Tive a honra de ser seu aluno na faculdade de Direito e hoje somos confrades na Academia Caxiense de Letras. Faço registro com muita honra.
Num país marcado por desigualdades, toda ação que amplia o acesso à comunicação é, no fundo, um gesto de justiça.
E talvez seja isso que mais importe.
Porque, no fim das contas, não há democracia possível onde nem todos podem ser ouvidos.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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