POR RICARDO MARQUES
O Brasil é um país tão extraordinário, mas tão extraordinário, que, em certas cidades, o sujeito sai da prisão acusado de desviar milhões do dinheiro público… e encontra uma carreata esperando por ele.
Não é metáfora.
Aconteceu em Turilândia.
Aqui nesse Maranhão de meu Deus!
Motos, paredões, buzinaço, festa popular.
Soltaram até fogos de artifício.
Um foguetório medonho.
Faltou apenas jogarem rosas na pista em homenagem ao “herói” que retorna do cárcere.
E eis a pergunta que não quer calar:
O que explica isso?
Seria miséria educacional?
Dependência política?
Síndrome de Estocolmo eleitoral?
Ou o brasileiro já perdeu completamente a capacidade de distinguir vítima de algoz?
Nelson Rodrigues dizia que o brasileiro tem “complexo de vira-lata”.
Talvez tenhamos evoluído.
Agora temos complexo de cúmplice.
Porque não estamos falando de alguém absolvido pela Justiça.
Estamos falando de investigados acusados de surrupiar R$ 56 milhões dos cofres públicos — dinheiro que poderia estar em hospitais, escolas, estradas e remédios.
Mas, no Brasil profundo, há quem veja o político acusado não como suspeito…
mas como um “pai”.
Um benfeitor.
Um coronel afetivo.
Rouba?
Talvez.
Mas “ajuda o povo”.
E assim nasce a tragédia moral brasileira:
o ladrão estimável.
O corrupto de estimação.
O saqueador acolhido como celebridade.
Há cidades em que a população já não vota em projetos.
Vota em padrinhos.
Em donos.
Em protetores.
A política deixa de ser cidadania e vira relação de dependência emocional.
E quando o povo aplaude quem é acusado de lhe roubar, algo apodreceu muito antes da política.
Apodreceu a consciência.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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