POR RICARDO MARQUES
Eduardo Braide saiu da Prefeitura de São Luís como aquele sujeito elegante que abandona a festa antes da polícia chegar. Foi embora sorrindo, fazendo pose para selfie, enquanto deixava no caixa da Prefeitura uma bomba-relógio de mais de um bilhão de reais. Um bilhão! Não é dívida… é uma modalidade de patrimônio arqueológico da irresponsabilidade.
Agora aparece a nova prefeita tentando entender o tamanho do rombo. E os prestadores de serviço estão na porta da Prefeitura com a mesma expressão de quem vendeu fiado para parente caloteiro: um misto de esperança, raiva e ingenuidade terminal.
No Brasil, político adora inaugurar obra. O problema é pagar a conta depois. A conta é sempre um detalhe vulgar, quase ofensivo. Governar virou isso: corta-se a fita hoje e empurra-se o boleto para o próximo trouxa amanhã.
Informações divulgadas pelo Blog do jornalista Gilberto Léda apontam que a nova gestão herdou débitos superiores a R$ 1 bilhão deixados pela administração anterior. Ou seja: Braide conseguiu o impossível — transformar a Prefeitura numa espécie de cartão de crédito sem limite. Gastou como influencer em Dubai. E agora descobrem que o “choque de gestão” talvez tenha sido apenas um choque… elétrico nas finanças públicas.
O mais curioso é o silêncio dos apaixonados políticos. Quando a dívida é do adversário, falam em escândalo. Quando é do aliado, chamam de “desafio administrativo”. O nome bonito da tragédia brasileira é eufemismo.
Enquanto isso, São Luís continua ali… linda, histórica, poética… e eternamente administrada como quem joga pôquer numa mesa de bar às três da manhã.
E o contribuinte?
Ah… esse continua pagando a rodada.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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