POR RICARDO MARQUES
A decisão do governo Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas provocou reações imediatas no Brasil.
O governo Lula discorda. Argumenta que as facções são organizações criminosas, voltadas ao lucro, sem motivação política ou ideológica — requisito que, tradicionalmente, caracteriza o terrorismo.
Do ponto de vista jurídico, é uma discussão legítima.
Mas há uma questão ainda mais importante.
Independentemente do nome que se dê a elas, estamos falando de organizações que movimentam bilhões, controlam territórios, impõem regras próprias, recrutam soldados, executam adversários, infiltram-se em estruturas do Estado e da política e operam para além das fronteiras brasileiras.
Em muitos lugares, o cidadão teme mais a facção do que o próprio Estado.
E é justamente aí que surge a reflexão.
Quando uma organização criminosa adquire poder suficiente para desafiar governos, dominar comunidades e influenciar a vida de milhões de pessoas, ela continua sendo apenas uma quadrilha comum?
Talvez o verdadeiro debate não seja sobre a palavra “terrorismo”.
Talvez o debate seja sobre o tamanho da ameaça que o crime organizado já representa para o Brasil.
Porque, seja qual for a classificação jurídica, uma coisa é certa: o PCC e o Comando Vermelho deixaram de ser um problema apenas policial há muito tempo.
Hoje, são um desafio para o Estado brasileiro.
E, até aqui, um desafio que o Estado tem se mostrado incapaz de resolver.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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