POR RICARDO MARQUES
A juventude é barulhenta. Cheia de urgências, de plateia, de necessidade de aplauso.
A gente quer caber no mundo — ou, pior, quer que o mundo caiba na gente.
E nessa ânsia, vive cercado… e, curiosamente, vazio.
Envelhecer é o contrário disso.
Não é perder — é selecionar.
Não é diminuir — é depurar.
A vida vai peneirando afetos, descartando excessos, silenciando ruídos. E, quando a poeira baixa, sobra algo raro: a companhia de si mesmo.
Helen Mirren disse uma vez:
“Um dos maiores presentes de envelhecer é descobrir a magia da solidão.
O que antes parecia solidão agora parece liberdade.”
E há uma verdade desconcertante nisso.
Porque, em algum momento, a solidão deixa de ser ausência… e vira escolha.
Deixa de ser abandono… e passa a ser abrigo.
Já não é o eco do que falta, mas o silêncio do que finalmente basta.
Envelhecer, no fundo, é fazer as pazes com o espelho — não o que reflete o rosto, mas o que revela a alma.
É parar de pedir licença para existir.
É entender que menos gente, às vezes, é mais verdade.
E talvez o maior luxo da maturidade seja esse: não precisar mais de plateia para ser inteiro.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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