POR RICARDO MARQUES
A política maranhense parece ter inaugurado uma nova modalidade de campanha: a temporada das denúncias explosivas.
Primeiro, um pré-candidato ao governo afirma que recebeu proposta para abandonar a disputa e concorrer a deputado federal. Diz que tem provas. O assunto repercute, gera manchetes, provoca indignação. Mas as provas continuam guardadas em algum lugar entre o mistério e a conveniência.
Depois, surge outra denúncia. Uma ex-vereadora afirma ter recebido oferta de dinheiro para servir de candidata laranja. Aparecem áudios, surgem versões, vêm as negativas, depois as explicações, e o enredo ganha novos capítulos a cada dia.
O curioso é que todos dizem ter razão. Todos dizem possuir a verdade. E todos acusam alguém.
Se metade do que está sendo dito for verdade, estamos diante de fatos gravíssimos, que exigem investigação rigorosa do Ministério Público e da Justiça Eleitoral.
Mas, se não for, também estamos diante de algo grave: o uso de acusações sem comprovação como arma política.
O que não pode acontecer é transformar denúncias de corrupção em entretenimento eleitoral. Nem permitir que acusações circulem apenas como munição para redes sociais.
Porque, numa democracia séria, denúncia não é slogan. Prova não é promessa. E verdade não pode ser tratada como peça de campanha.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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