POR RICARDO MARQUES
Há um fenômeno curioso — e trágico — nas redes sociais: a multidão que lê… mas não entende. Que escuta… mas não ouve. É o analfabetismo funcional travestido de opinião.
Você fala A, o sujeito entende Z — e ainda comenta com convicção de quem descobriu a pólvora. É uma espécie de surdez intelectual com Wi-Fi.
Nelson Rodrigues já dizia: “os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade.”
E hoje eles têm perfil, senha e, pior, opinião.
Outro dia, fiz um comentário simples, direto, quase didático. E o que veio de volta? Interpretações delirantes, conclusões que não existem e uma criatividade que nem Freud explica.
Chico Pinheiro talvez tenha razão: "as redes sociais nos emburreceram." Não deram apenas voz aos imbecis — deram palco, luz e microfone.
E aí a coisa degringola. O sujeito não lê o que está escrito, lê o que quer ler. Não escuta o que foi dito, escuta o que cabe na própria limitação. É um diálogo de surdos — cada um berrando com sua própria ignorância.
Talvez os Titãs estivessem certos antes do tempo. Hoje, a música começaria diferente: “A rede social me deixou burro, muito burro demais…”
E no meio desse ruído todo, sobra a sensação de falar para paredes digitais — ocas, barulhentas e absolutamente impermeáveis à compreensão.
“Ôh, Cride, fala pra mãe. Vê se me entende, pelo menos uma vez, criatura!”
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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