POR RICARDO MARQUES
O Brasil conseguiu realizar um milagre econômico às avessas. O carro é fabricado aqui… com aço daqui, mão de obra daqui, energia daqui… mas fica mais barato no Paraguai. É isso mesmo. O brasileiro produz o carro e depois atravessa a fronteira para tentar comprá-lo sem ser assaltado pelo próprio país.
É quase poético. Uma obra-prima do sadomasoquismo tributário tupiniquim.
O Paraguai, que durante décadas foi tratado pela elite brasileira como “muambeiro”, hoje olha para o Brasil com pena. O sujeito entra numa concessionária paraguaia e descobre que lá o carro brasileiro custa menos do que no Brasil. Aí ele percebe que não mora num país… mora numa repartição pública gigante com bandeira e hino.
Aqui, o cidadão compra um automóvel e leva junto um kit completo: imposto em cascata, burocracia jurássica, taxa escondida, custo logístico medieval e um governo faminto que tributa até o suspiro do motorista.
O brasileiro não compra carro. Ele financia o Estado em 60 prestações.
E depois aparecem os gênios de Brasília dizendo que o problema é “a desigualdade”. Claro que é! O pobre trabalha, o governo arrecada e o Paraguai vende mais barato.
Nós viramos uma espécie de colônia de nós mesmos. Produzimos riqueza para sermos proibidos de consumi-la.
No fim, o carro nacional no Paraguai é apenas uma metáfora sobre o Brasil: tudo nasce aqui… e tudo funciona melhor fora daqui.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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